CATARINENSE SURPREENDE EM BERLIM

SCARPIN arranca na linha de chegada e
termina em chega em posição inédita para o Brasil.
Foto: Divulgação/FCHP


















Foi publicada nesta segunda-feira (30/09) no site da 40ª Maratona de Berlim o resultado oficial da prova de patins inline, realizada no último sábado (28) na capital alemã. Dos 6.298 inscritos, 1.449 concluíram o desafio sobre patins. Entre eles, um brasileiro se destaca na listagem.

O catarinense João Vicente Scarpin (34), tri-campeão brasileiro de patinação de velocidade e 13º no ranking mundial 2013, conquistou o segundo lugar na categoria M30 (atletas de 30 a 40 anos) e 5º lugar geral da prova. Com o tempo de 1:14:38, Scarpin ainda bateu seu melhor tempo pessoal, estabelecido no mundial realizado na cidade italiana de Salerno, no início de setembro.


ATLETAS NA DISPUTADO POR UMA VAGA NA
ELITE PROFISSIONAL NA BERLIN INLINE MARATHON
Foto: Divulgação - SCC Events
Para participar destas provas, o atleta de Florianópolis integra o projeto Rumo a Vitória, do governo de Estado de Santa Catarina, por meio do Fundesporte. Em Berlim, Scarpin faturou mais que a prata na categoria. Esta conquista habilita o patinador a subir para a categoria A, restrita apenas a times e atletas com resultados comprovados.

"Todos que estavam no meu bloco de largada lutavam por uma dessas vagas. É uma disputa duríssima. Mas eu estava muito confiante para a prova, ainda mais depois dos meus resultados na Itália. Só que o resultado foi melhor do que eu esperava", disse Scarpin que soube do resultado oficial na manha desta segunda-feira quando retornou ao Brasil.

“Quando terminamos a prova, recebemos uma listagem com os tempos brutos, sem diferenciar os blocos de largadas, que vai de B até F. Na primeira listagem eu aparecia em 18º geral, que para um brasileiro correndo sozinho já é um ótimo resultado. Assim que cheguei em São Paulo, recebi a mensagem do resultado oficial com minha posição em 5º geral. Foi um incrível revigorante depois de 12h de viagem”, completou Scarpin.

BERLIN INLINE MARATHON: 6.298 INSCRITOS
Foto: Divulgação - SCC Events
A patinação de velocidade ainda é uma modalidade em desenvolvimento e pouco conhecida no Brasil. No mundo, as provas mais comuns são em pistas ovais com 250m e as principais competições são dominadas pelos colombianos. Por enquanto, aqui no Brasil, só existe uma pista, que fica em Sertãozinho, interior de São Paulo. Isso vem proporcionando o desenvolvimento de atletas de fundo, que treinam e correm em vias de asfalto.

Já de volta a rotina profissional como administrador em Florianópolis, Scarpin continua focado em suas metas pessoais como patinador e busca contribuir para o desenvolvimento do esporte no Brasil. “Minha meta é até 2017 ser campeão do mundo. E cada prova que participo vejo a meta ficar mais perto. Paralelamente, estou buscando o desenvolvimento da próxima geração de patinadores. Com a possibilidade da patinação de velocidade entrar para as Olimpíadas de 2024, agora é a hora de focar nos atletas do futuro” conta o patinador que coordena o projeto Aprendendo a Patinar, da Federação Catarinense de Hóquei e Patinação, com aulas gratuitas em Florianópolis.

BERLIM: ÚLTIMA GRANDE ESCALA DO ANO DA PATINAÇÃO DE VELOCIDADE.

No próximo domingo (29), ocorre 40ª edição da Maratona Internacional de Berlim, na Alemanha. A prova, marcante por passar pelos principais pontos turísticos da capital alemã, possui um atrativo único. No sábado, pelo mesmo percurso, acontece a maior prova de patinação de velocidade do mundo. Mais de 3.000 atletas disputam sobre patins os 42.195m em velocidade que chegam até 60 km/h.

Em meio às feras da modalidade, um atleta de Florianópolis é destaque: João Vicente Scarpin (34), tri-campeão brasileiro e 13º do mundo em 2013. Scarpin, que é beneficiado pelo programa Rumo a Vitória do Fundesporte/Fesporte/ Governo de Santa Catarina, participa pela segunda vez da Maratona Inline de Berlim e conta com a experiência e bons resultados para terminar o ano entre os principais nomes da modalidade.
“Todas as provas do ano no calendário nacional consegui sempre subir no pódio. Lá fora o nível competitivo é muito alto e isto permite melhorar meu desempenho a cada prova. É difícil competir com atletas que dedicam 100% do tempo ao esporte, mas nos pelotões internacionais já sou reconhecido e aos poucos coloco Santa Catarina e o Brasil nos registros da modalidade” disse o atleta que desembarca em Berlim dia 25. A Maratona Inline de Berlim acontece sábado, 28/09, às 15h (10h horário de Brasília).

Um Mundial em 10 pedaços

Por João Vicente Scarpin

"Não há como descrever um mundial." Estas palavras foram fixadas na minha memória em 2011 pelo nosso campeão do mundo Luiz Giacomo, quando conquistou o titulo na categoria a acima de 60 anos. 

Fixou, mas confesso que até hoje não havia entendido. Até Hoje. Participar de uma prova da elite mundial é uma experiência única e Salerno 2013 provou ser um cursinho intensivo com índices elevadíssimos de aceitação. 

Preparação e concentração é um mantra para qualquer um que deseja passar por tal desafio. Superstição é uma característica brasileira. Como bom brasileiro, usei a mesma bermuda e meia da última corrida no Brasil, tomei duas xícaras de café logo cedo e levei uma banana para comer durante a prova. Uma generosa banana, que planejei comer um pedaço por cada uma das 10 voltas do percurso de Salerno. 

O plano furou pelas três primeiras voltas. Meu pelotão estava composto por 6 italianos, 4 espanhóis, 4 alemães, 2 franceses e diversas outras nacionalidades que desempenhavam dignamente uma corrida de mundial. A única coisa que se comia até aqui era asfalto. E esses rapazes estavam com fome. 

Entre a terceira e quarta volta os italianos armaram uma jogada brilhante. O pelotão seguia em linha quando o capitão deu um grito de guerra e todos italianos saíram do alinhamento e partiram para um sprint individual, atordoando todos que seguiam pois naquele momento não havia mais quem seguir. O resultado foi a formação de dois pelotões: um das nações individuais e outro nas nações coletivas. Fantástica jogada! 

Desgarrado do pelotão líder, passei a dar atenção a minha banana. Meu pelotão andava mais lento, numa velocidade incomoda para mim. Pela quinta volta estava patinando sozinho entre os dois pelotões, incapaz de alcançar os líderes, que se beneficiavam da fuga em pelotão e mais veloz que o segundo pelotão. 

Pela sétima volta a banana e os treinos das últimas semanas no Brasil começavam a fazer efeito. Alguns atletas do pelotão líder foram ficando para trás e meu patins parecia render mais. Recuperei 3 posições só mantendo o passo. 

Antes de abrir minha última volta, o último pedaço de banana ficou atravessado. Um francês descia a reta de chegada para cumprir sua meta. Passou por mim como se tivesse acabado de largar. Olhei para trás e nem um sinal do pelotão. O cara é uma máquina. 

Os últimos 4 quilômetros foram os mais espetaculares. Alguns italianos já estavam reconhecendo os brasileiros e uma pequena torcida formou-se na última curva. Era hora de começar a se despedir desse maravilhoso cenário. Alegria e nostalgia misturavam-se. Tantas novas amizades e novas metas a serem alcançadas voltam para o Brasil que finalmente entendo que um mundial não se descreve, se vive.